Diário

05/11/2026

Uma mídia comunitária, como seria?

Uma ideia sobre um tipo de mídia comunitária · #Mídia comunitária · 3 min de leitura

“Sou contra a ideia de notícia alternativa que tenta expor a notícia burguesa como mentira. Veja, eu não tenho informação verdadeira oposta à não-verdadeira da imprensa burguesa. Eu tenho a minha informação. Só isso. E prefiro difundir ou misturar minha informação. Não sei se isso é a verdade; não acredito que seja a verdade; não acredito que a verdade exista. Acredito que existem muitas formas possíveis de informação, cada informação estando conectada a uma forma de vida. Eu escolho uma forma de vida e difundo o tipo de informação conectada a essa forma de vida – só isso”. Franco Berardo Bifo

Fiquei pensando aqui num modo de criar uma mídia comunitária online, que servisse para fortalecer as comunidades. Não vou escrever aqui sobre teoria, mas sobre a ideia concreta.

Pensei numa mídia que consistiria em encontros através de chamadas de vídeo ou áudio, em que pessoas entrariam, após se identificar ou por meio de cadastro prévio que incluiria a aceitação por alguém que já a conhece (“padrinho”).

Os encontros seriam semanais para cada bairro e funcionariam assim:

  • Uma site em que ficariam disponíveis os links de acesso para cada bairro, com o horário marcado. Qualquer pessoa cadastrada poderia entrar.
  • Ao acessar a chamada a pessoa teria a opção de ficar assistindo ou de participar. Se ela escolhe participar, passa a ter direito a falar na discussão.
  • Todo encontro precisa ter um mediador, se o encontro tem mais que 5 pessoas ele precisa de salas separadas para que as pessoas discutam em pequeno grupo, tenham tempo para elaborar o que querem dizer.
  • É preciso formar mediadores, se não há pessoas suficientes para isso é preciso que os encontros de cada bairro sejam em dias e horários diferentes para serem mediados.
  • O registro das reuniões aparece como transcrição, não como vídeo. Apesar do vídeo ficar guardado para consultas num arquivo.
  • A partir das questões levantadas pode-se fazer um trabalho midiático para fora da comunidade, no sentido político: levantar o debate público para além do bairro, cobrar soluções, mobilizar mais pessoas para que mudanças aconteçam.
  • O importante é que o espírito comunitário seja reativado, que as pessoas sintam-se participantes, que sejam ouvidas e que aquilo que se constrói venha dessas discussões.
  • Tudo precisa ser facilitado por metadesign.

Me parece que a ideia de um site simples, acessível como app, para que as pessoas se cadastrem por bairro é essencial. Para além disso, acredito que vale começar com um bairro e ir aumentando o alcance. Os encontros podem alternar entre presenciais e online. Grupos podem se formar para atuar presencialmente e organizar o encontro online. Acredito que esse é o núcleo do que pode acontecer.

Pós-escrito.

  • A mídia comunitária do Canadá, o Comitê de cidadãos, aprovava coletivamente a pauta e aquilo que iria ser publicado antes da mídia tornar público. Ou seja, a equipe de mídia não representa a comunidade, ela faz parte da comunidade e por isso a comunidde precisa aprovar o que vai ser publicado. Isso estende o processo mas torna legítimo o material mas não só: produz um senso de pertencimento comunitário, necessário. A velocidade do processo é realmente outra.
  • Existem 3 tipos de registro: transcrição (para quem faltou), vídeo resumo para convite nas redes sociais, pauta para a prefeitura e vereadores, produção midiática periódica.
  • A aprovação do material deve acontecer nos próprios encontros.
  • Decidir a periodicidade coletivamente, mas inicialmente deveria ocorrer a cada 15 dias.