Diário

05/11/2026

Um encontro intenso

Um encontro inspirador com um artista japonês · #tetsuo kogawa · 2 min de leitura

Tenho me surpreendido com as leituras que venho fazendo da obra de Tetsuo Kogawa.

Kogawa é um cara das mídias que passou praticamente por todas as eras dos meios de comunicação - e comunicação aqui não se refere apenas ao que estamos habituados, mas a todo modo de nos afetarmos uns aos outros socialmente.

Ele começou experimentando com transmissões de rádio com amigos, depois criou uma espécie de Rádio livre, a chamada Mini FM, que transmitia a uma curta distância de 500 metros.

E a questão era mesmo esta, o encontro com os amigos e possíveis ouvintes interessados em participar destas reuniões. A transmissão não servia para emitir informações para ouvintes passivos, a sua aposta era no encontro dos que se reuniam e no convite implícito aos que quisessem se unir a eles: o endereço e o telefone eram divulgados para que as pessoas viessem também borrar essa distinção entre quem fala e quem escuta.

Isso me fez pensar em como todo a lógica das redes sociais atuais vai na contra-mão disso, todos parecem estar a todo momento buscando um público imaginário, uma maneira de viralizar, de aumentar seu espaço de influência… não há encontro, seja da pessoa com ela mesma, com seus interesses, com seu processo de criação e muito menos com o outro, com a diferença do outro.

Me parece que essa abertura que as Mini-FMs tinham podem nos ensinar sobre como fazer um outro uso das tecnologias de comunicação que temos hoje.

Como desviar do uso massivo, da projeção para se alcançar uma massa, do se colocar em cima de um palanque para ser ouvido, e retomar a ideia artística da criação, do encontro, da transmissão como registro e não como finalidade?

Me parece que isso só é possível se o encontro é mais importante, se isso vem primeiro, se a abertura para o encontro é anterior a qualquer mídia. A mídia passa a servir ao encontro e não o contrário.

Nesse sentido, situo Tetsuo Kogawa numa posição muito próxima a de Jonas Mekas. São mestres que apresentam sua relação com as mídias de um modo desviante, eles quebram com o uso massivo. É uma artesania dos meios elétricos.